Autismo: Reflexões Além do Marketing

02 Abril – Dia Mundial de Conscientização do Autismo
Hoje, mais do que um dia de conscientização, é um momento para questionarmos como a sociedade, incluindo instituições, governos e até mesmo militâncias, encara o autismo.
Enquanto há um esforço crescente para falar sobre o diagnóstico precoce em crianças, os impactos do autismo na adolescência e na vida adulta ainda são amplamente ignorados.
Em Vargem Grande Paulista, assim como em tantas outras cidades, a realidade do autismo vai além das campanhas e discursos bem-intencionados, desde políticos que se dizem especialista, ONG’s e até mesmo Partido Político que diz representar o Autismo.
Muitas vezes, crianças autistas são tratadas como “bonecos de porcelana”, usadas como símbolos de inclusão em peças publicitárias, mas sem a real compreensão de suas necessidades.
Quando chegam à adolescência, são rotulados e isolados. E, na vida adulta, enfrentam um cenário ainda mais hostil: preconceito, dificuldade de inserção no mercado de trabalho, falta de oportunidades e o peso de uma sociedade que não sabe lidar com a neurodivergência fora do padrão infantilizado.
O peso da descoberta tardia e a importância do diagnóstico
O diagnóstico tardio do autismo pode ser um divisor de águas na vida de muitos adultos que passaram anos enfrentando desafios sem entender completamente a raiz de suas dificuldades.
Traumas acumulados, incompreensão e até mesmo autodescoberta tardia geram impactos profundos. Para muitos, compreender-se autista na vida adulta significa, pela primeira vez, encontrar respostas para uma trajetória marcada por exclusão e dificuldades sociais.
Além disso, reconhecer o autismo na vida adulta pode ser crucial para as futuras gerações. Lembrando que não se trata de doença e sim uma condição.
Logo sendo uma condição genética, o diagnóstico em pais pode facilitar a identificação precoce em seus filhos, garantindo melhores estratégias de acolhimento e desenvolvimento.
Autismo não é modismo, é realidade
Mais do que simplesmente falar sobre autismo em datas comemorativas, é preciso transformar a sociedade para acolher essas pessoas de maneira real e eficaz. Isso inclui revisar políticas públicas, garantir acessibilidade e, principalmente, educar a população sobre as diversas manifestações do espectro. O autismo não se encerra na infância. Ele segue, evolui, se transforma – e a sociedade precisa acompanhar essa realidade.
O autismo não deve ser romantizado, mas sim compreendido. E a verdadeira inclusão só acontece quando há respeito, espaço e oportunidades para todos, em qualquer fase da vida.
por Humberto Brassioli Corsi – Redator Chefe
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