Escândalo Eleitoral em Osasco: Denúncias de Fraude na Cota de Gênero Ganham Destaque

Denúncias de Fraude na Cota de Gênero Agitam Política em Osasco
Mesmo após o fim das eleições municipais de Osasco, região metropolitana de São Paulo, novas disputas podem surgir nos tribunais eleitorais. Partidos políticos, como PSB e PSD, denunciaram a federação PSOL/Rede por supostas irregularidades relacionadas à cota de gênero e ao uso inadequado do fundo eleitoral destinado às candidatas mulheres. As acusações envolvem o possível uso de “candidatas laranja” para cumprir a legislação eleitoral e beneficiar candidaturas específicas.
As denúncias apontam que três candidatas da Rede — Josiane Doces, Janicelma Figurino e Vanessa Aliança — teriam se filiado ao partido apenas para cumprir a cota obrigatória de gênero. De acordo com as ações, o objetivo seria favorecer as campanhas de reeleição do vereador Emerson Márcio Vitalino, anteriormente filiado à Rede e atualmente no PCdoB, e da vereadora Juliana Curvelo, do PSOL.
Um ponto que chamou a atenção nas ações é o vínculo das candidatas com a Igreja Evangélica Restaurados, frequentada por Emerson. Segundo as denúncias, o pastor da igreja, José Luis de Sousa, seria um apoiador do vereador e teria contribuído para a montagem do suposto esquema. As candidatas, que receberam R$ 3 mil cada uma do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, tiveram resultados pífios nas urnas: Josiane obteve um voto, Vanessa, seis, e Janicelma, oito.
As ações também alegam que nenhuma das candidatas participou de eventos de campanha ou promoveu suas candidaturas nas redes sociais. Algumas delas, inclusive, mantinham perfis privados, o que vai na contramão da prática comum de divulgação eleitoral. O PSB pede a cassação de todos os registros de candidatura da federação PSOL/Rede no município e uma recontagem dos votos, excluindo os obtidos pela federação.
Além das acusações do PSB, o PSD, representado pelo candidato Ivanildo Luiz dos Santos, conhecido como Ivanildo Eventos, também protocolou uma denúncia semelhante. Já a federação PSDB/Cidadania acusa Emerson de ter utilizado recursos destinados à campanha de outra candidata, que recebeu mais de R$ 230 mil e obteve apenas 77 votos.
Juliana Curvelo, que também é citada nas ações, nega envolvimento direto e lamenta a situação. A vereadora, que não conseguiu a reeleição, afirma que seu trabalho sempre foi em prol da representatividade feminina, dos direitos da população LGBTQIA+, das questões raciais e das periferias. Ela reconhece a seriedade das provas apresentadas e declara que fará sua defesa separadamente.
Os desdobramentos desses processos podem impactar diretamente a composição legislativa da cidade, colocando em xeque a validade de votos e mandatos obtidos nas últimas eleições. Enquanto isso, o vereador Emerson não se pronunciou sobre as denúncias até o momento.
Essa situação evidencia a importância da transparência e da ética no processo eleitoral, além de reforçar a necessidade de fiscalização rigorosa para evitar abusos e fraudes, especialmente em mecanismos criados para ampliar a inclusão e a representatividade na política.
O caso está em análise pela Justiça Eleitoral.
Redação; Conteúdo inspirado pela fonte O Globo
Deixe o Seu Comentário