VGP – O Asfalto em Ribeirão das Lajes: Responsabilidade ou Descaso Público?

Foto Divulgação – Rede Social
A Dicotomia do Asfalto em Ribeirão das Lajes: Responsabilidade ou Descaso Público?
O recapeamento asfáltico é, por definição, uma responsabilidade do poder público, nesse caso municipal. Contudo, quando uma empresa privada assume esse papel, cabe uma reflexão: trata-se de altruísmo ou de um reflexo da inoperância administrativa? A recente “Operação Tapa Buraco” realizada pela MegaG em Ribeirão das Lajes traz à tona questões urgentes sobre infraestrutura, gestão pública e participação privada.
Segundo a empresa, a iniciativa surgiu da necessidade de garantir segurança e conforto aos usuários das estradas que ligam a região à sua sede. Buracos perigosos e negligenciados impulsionaram a equipe a investir em materiais e realizar o serviço. A ação, apesar de pontual, expõe um cenário de abandono que, ironicamente, deveria ser enfrentado pela prefeitura local.

O Dilema do Desgaste e da Moralidade Empresarial
Há duas perspectivas intrigantes a serem analisadas. De um lado, a ausência do poder público levou a MegaG a arcar com o custo e esforço de minimizar os danos. De outro, especula-se que a degradação do asfalto seja acelerada pelo tráfego intenso de caminhões pesados da própria empresa, o que configuraria um “desgaste moralmente compartilhado”.
Assim, o que parece ser um ato de generosidade também pode ser interpretado como uma obrigação moral e prática.
É notório que o tapa-buracos é um paliativo. Sem uma reestruturação robusta da via, o desgaste continuará. Mas há elementos que complicam ainda mais o cenário:
A rotatória local necessita de um novo layout para suportar o fluxo de veículos.
A construção de uma ponte, responsabilidade da SABESP, ainda não saiu do papel.
O recapeamento completo, tão quanto a reformulação da rotatória e a nova ponte, estava previsto na atual gestão, mas foi rejeitado pela maioria dos vereadores, sob a alegação de ser um projeto “eleitoreiro”.
A Política que Paralisa e o Interesse Coletivo
O argumento dos vereadores – de que a obra beneficiaria politicamente a administração municipal – parece ignorar o principal objetivo de qualquer governo: atender às demandas da população. Com prazo legal para execução, a rejeição do projeto não apenas privou os moradores e trabalhadores de melhorias essenciais, mas também deixou espaço para questionamentos sobre os reais interesses por trás dessa decisão.
Por Que Uma Empresa Privada Assume o Papel Público?
A MegaG demonstrou boa vontade, mas será suficiente? Enquanto a movimentação de caminhões permanece, a durabilidade do trabalho será comprometida. Além disso, é legítimo que uma empresa assuma responsabilidades que deveriam ser do poder público? Ou essa prática apenas perpetua o ciclo de negligência estatal?
O Papel do Novo Prefeito Piter Santos
No plano de governo de Piter Santos, consta a promessa de resolver a questão da infraestrutura viária em Ribeirão das Lajes. A obra completa – da rotatória à ponte – foi incluída como um compromisso com a comunidade. Agora, resta cobrar sua execução.
O descaso não pode ser tolerado, especialmente quando ações paliativas expõem tanto a fragilidade do sistema público quanto as consequências do interesse político sobre o bem-estar coletivo.
Reflexão Final: O Custo do Descaso
Enquanto caminhamos sobre asfaltos remendados e debates paralisados, a pergunta permanece: por que esperamos até que o privado intervenha para corrigir erros do público? Seria o problema uma questão de prioridades políticas ou de uma população que ainda não aprendeu a exigir seus direitos?
No fim, quem paga a conta do descaso é o cidadão, tanto no desconforto das vias quanto na resignação de aceitar o mínimo.
E você, o que pensa?
Redação
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